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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A indústria da seca

Dois dias após o Governo anunciar um pacote de medidas para o Nordeste envolvendo recursos da ordem de R$ 2,7 bilhões, políticos inescrupulosos reacenderam imediatamente a indústria da seca. Na Assembleia Legislativa, ontem, deputados com atuação no Sertão estufavam o peito informando que tinham a seu dispor 40 carros pipas para dar água ao povo.

As despesas não saíram do seu bolso, mas do suor do contribuinte. Em se tratando de ano eleitoral, o Governo tem que ficar atento para evitar essa exploração vergonhosa. Como existem três esferas envolvidas – a União, o Estado e o município – a saída seria criar um comitê gerado e fiscalizado pelas instituições representativas da sociedade.

Do contrário, o Governo perderá o controle, permitindo que candidatos a prefeito e a vereador façam uso político da água que chega às famílias necessitadas. Historicamente, sempre foi assim. O Exército controla uma parte dos carros pipas, o Estado outra e as prefeituras uma porção menor.

Por que não fazer uma espécie de consórcio, como pregou ontem o deputado Odacy Amorim (PT), com a coordenação de um comitê sem atrelamento político? A sugestão está posta. Se o governo errar e permitir a exploração política não será por falta de aviso, mas proposital.

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