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domingo, 28 de julho de 2013

Após 30 anos, mulher de pedreiro desaparecido na Rocinha reencontra a filha


Elisabete Gomes reencontrou filha que não via há 30 anos
Elisabete Gomes reencontrou filha que não via há 30 anos Foto:
 Rafael Soares



Andrea Gomes tem 30 anos e não se lembrava do rosto da mãe. Tudo o que sabia sobre a mulher que teve que deixá-la sob os cuidados dos avós, em Natal, no Rio Grande do Norte, para vir ganhar a vida no Rio de Janeiro era o nome — Elisabete Gomes da Silva — e o local onde morava, a favela da Rocinha. Também sabia, por conta de uma carta enviada por Elisabete há 24 anos, o nome do homem com quem a mãe havia se casado: Amarildo de Souza. Atualmente morando no interior do estado do Rio, Andrea se surpreendeu quando viu pela TV, no último dia 19, uma mulher com o nome de sua mãe chorando pelo desaparecimento de seu marido. Nesse momento, após 28 anos, a mulher encarava sua mãe pela primeira vez.

Na mesma hora, ficou nervosa, o coração doeu e ela precisou ser internada. Após dois dias no hospital, Andrea recebeu alta e saiu da maca com dois objetivos: encontrar a família pela internet e vir ao Rio rever a mãe.
— Na TV, a família toda protestava. Vi que tinha irmãos. Vi os nomes. Fiquei no computador o dia todo até achá-los — conta Andrea, que conseguiu marcar, via internet, com a prima Michelly Lacerda, a data do reencontro: quinta-feira, dia 25.

Amarildo Dias de Souza desapareceu na Rocinha há 11 dias
Amarildo Dias de Souza desapareceu na Rocinha há 11 dias Foto: Álbum de família

O EXTRA acompanhou o reencontro, reforçado pelo feijão com arroz preparado por Elisabete. Na ocasião, ela não conseguia esconder o misto de ansiedade pelo resultado das buscas da polícia pelo marido, que aconteciam no momento, e a alegria de reencontrar a filha perdida.

— Tive de sair de Natal para vir trabalhar no Rio. Acabei trabalhando como doméstica, cozinheira e, depois que casei com Amarildo, há 26 anos, virei dona de casa. Não tinha dinheiro para ir ver minha família e perdi o contato. Mas Deus tira com uma mão e dá com a outra: estou arrasada porque meu marido sumiu, mas minha filha voltou para mim — contou Elisabete, que sonha voltar a Natal e reencontrar os pais.

— Não sabia como era o rosto da minha mãe. Quando ela saiu de casa para vir para o Rio, tinha 2 anos, era pequena. A única lembrança que tenho dela é uma carta, que ela mandou para meus avós quando tinha 8 anos. Ela dizia que morava na Rocinha e tinha casado com um homem chamado Amarildo. Foi justamente o desaparecimento desse homem que nos reuniu, infelizmente. Nesse tempo, vim trabalhar no Rio como doméstica, me formei em engenharia mecânica e liguei várias vezes para rádios comunitárias da Rocinha em busca da minha mãe. Nunca me ouviram. Só agora vou começar a conhecer a minha história — disse Andrea.
Em meio às fotos com irmãos e primos, uma pergunta: “Cadê o Amarildo?”, disse a recém-chegada. A família e a Rocinha toda também procuram a resposta.

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