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terça-feira, 15 de julho de 2014

TRISTE COPA


Blitzkrieg é um termo alemão para “guerra-relâmpago”/coisa que rapidamente se resolve. Pronuncia-se quase que do mesmo jeito que se escreve, suprimindo a intrometida letra “e”. Consiste em uma doutrina militar com ataques inesperados, evitando que o inimigo tenha tempo de organizar a defesa. Sua essencialidade se resume na Rapidez Da Manobra/Brutalidade Do Ataque. Seu objetivo: a DESMORALIZAÇÃO do inimigo.

 Iniciada a Segunda Guerra Mundial, foi com essa tática militar que a Alemanha de Hitler em poucas horas colocou a Polônia no chão. O passado se repetiu e a Polônia fomos nós. Humilhando o sargentão de bigode Felipão, o general alemão Joachim Lõw deixou o Brasil em cacos. Reduziu-o a cinzas. Dar para renascer?

De uma demolição há sempre o que se aproveitar. No caso brasileiro é pouco provável que catadores de egos destruídos possam encontrar algo. A alma do brasileiro foi tocada. 

Nosso orgulho representado pelo futebol, atingido. Assim como nosso Hino/nossa Bandeira, um outro símbolo nacional (o futebol) é que foi humilhado. 

Analisar a derrota da seleção não faz nem sentido. Há que se considerar a superioridade germânica e de qualquer uma outra seleção ante às nossas fragilidades reveladas desde o início. Tínhamos muito (isso sim) ganância/fome do título, mas sem modos para alcançá-lo. E foi isso.

 O tamanho do vexame é que merece algumas linhas. Claramente se via que o Brasil era um time perdido/um desarranjo completo. Aquela bola do Chile no travessão foi o prenúncio da nossa morte. Bola rolando e os jogadores mais pareciam formigas assanhadas correndo sem rumo. 

Cada jogador querendo resolver tudo sozinho. Num esporte onde a força do coletivo é tudo, estávamos assim fadado ao fracasso. Somente com a entrada em campo é que se tinha o grupo com foco único, o centro do gramado para canto do hino.

 E faziam (entrada em campo) com um atado ao ombro do outro pelas mãos. A imagem era cômica. Gesto de amigos, diziam. Bom, talvez aí esteja a explicação de apenas terem tomado sete gols. Cada uma! Coisa de tupiniquim mesmo. Não me surpreendo.

 Em uma terra onde crendices tem valor de ciência, isso é o de menos. Mais treino e menos bobagens psicológicas e não sairíamos desse jeito, com a honra em frangalhos. Fazendo uso de uma metáfora canina, entramos na competição com alma de um pastor-alemão, saímos com a de um vira-lata. Rabo entre as pernas e nos restou a humilhação.

Seguir os outros. Dois fatores foram preponderantes para que países europeus despontassem em pouco tempo como grandes potências do futebol: a moralidade e a organização. Considerando o que vem ocorrendo no nosso futebol e (fora de campo) no nosso país, tais palavras soam como palavrões. 

Mandatário do nosso futebol por mais de vinte anos, e com uma fortuna avaliada em mais de R$ 100 milhões, o senhor Ricardo Teixeira hoje vive nos Estados Unidos. E os escândalos políticos se sucedem diariamente. A tudo isso se somam outras chagas que tem levado todo o futebol nacional a completa ruína. Nosso desastre na Copa do Mundo é reflexo. Como quarto poder que é, a senhora imprensa tem feito quase nada. 

Atuando dentro de um sensacionalismo irresponsável e barato, distorce os fatos alterando a realidade e mexendo no nosso cotidiano. Gosta de fazer deuses no futebol ao gosto de um público sequioso de necessidades e alegrias.

 Parece mais viver em função de uma logística de mercado. E ainda temos de engolir Felipões da vida com suas insustentáveis convicções, estas alicerçadas no seu orgulho e na ignorância óbvia dos fatos. Deixou em luto uma nação.

 Encheu-se de si mesmo para a alegria alheia. Depois que ganhou o mundial de 2002, Felipão se transformou em uma ferramenta obsoleta para o futebol. Algo como máquina de datilografia. Não ganhou mais nada. Tornou-se irreciclável. Um colecionador de vexames.

 A ele se deve o rebaixamento do Palmeiras para série “B”, um time milionário considerando o “padrão de vida” dos clubes da mesma série. Perdeu o emprego no clube e ganhou a seleção. O meio esportivo ficou boquiaberto. Coveiro do Palmeiras, e agora do selecionado brasileiro. Felipão deve ser sepultado. Descanse em paz.

Mas a vida segue. A Copa do Mundo se foi. Pelo seu brilhantismo fomos cantados em todo o mundo. A melhor de todas as Copas. Ganhamos esse título. Prova inequívoca de que somos capazes como qualquer um outro povo. Ela é mais do que um evento esportivo. Momento único que une a todos.
Singularidade sua. O futebol tem essa magia. Praticado em todo o planeta, aproxima os garotos da elite branca europeia dos meninos ignorados nos confins da África. Talvez nenhum outro esporte estreite tanto. Se perdemos esse jogo, há um outro a ser vencido, o nosso de cada dia. Como a fênix da mitologia grega, temos de nascer das próprias cinzas. Juntar os cacos.

 Façamos como os rios que depois de uma queda segue seu destino. Segue manso e tranquilamente. Mudar de atitude e recompor o Brasil. Recompô-lo dentro de campo. Recompô-lo mais ainda fora dele.

José Maria/Cidadão.

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